SER MISSIONÁRIO
Após conseguir vaga para um jovem numa casa
de recuperação de alcoólatras, sua mãe insiste que ele se submeta ao
tratamento, e, valorizando o trabalho pastoral, ela disse: - “Você está vendo,
o pastor é como um pai para nós!”.
Esse reconhecimento da ação
pastoral foi um lenitivo após uma tarde de atividades quando preguei num culto
de gratidão, saí com minha esposa para visitas, varri o piso, limpamos os bancos
e outros móveis muito empoeirados do templo porque estamos numa rua sem
asfalto.
Enquanto
trabalhava, pensava no que é ser missionário. Veio à mente a letra de um hino
que gostamos de cantar:
“Missionário é profeta, pedreiro e pastor,
Missionário é amigo, enfermeiro e cantor,
Tira oferta, aconselha, é doutor, pregador,
Noite e dia trabalha fazendo o bem,
Dividindo com os outros o pouco que tem”.
No
desenrolar dos pensamentos, enquanto lavava o pano sujo da poeira dos bancos,
preparando-os para a chegada dos irmãos, olhei para o meu trabalho e pude
entender que ser missionário é evangelizar, discipular, pregar, dirigir o
louvor, varrer o chão, limpar os bancos, saber que a mensagem que foi preparada
para muitos será ouvida por meia dúzia de pessoas no culto de domingo à noite.
Durante esses anos no campo,
aprendi que ser missionário é abrir e fechar o templo, ser simpático,
cumprimentar, sorrir, valorizar a quem para muitos não tem valor: o alcoolista,
a prostituta, os pobres. Ser missionário é contar a oferta e ver que tem apenas
algumas moedas no gazofilácio e desejar ter a “mala” cheia de dinheiro para
sustentar outros. É almejar sempre ir avante, pois “os campos estão brancos para a ceifa”.
Ser missionário é não ter muitos membros, apenas um punhado de pessoas
que ainda não compreenderam o que é ser igreja. Ser missionário é visitar para
consolar o aflito e fortalecer o desanimado.
O missionário acostumou-se a não ter quem o console e o reanime. Ele
enfrenta a solidão com oração e lágrimas. Ser missionário é não ter explicação que
satisfaça aos inquiridores quando lhe perguntam a razão da sua escolha
ministerial, a não ser que é a vontade de Deus.
Ser missionário é planejar grandes estratégias mesmo sem possibilidade
de realizá-las. Ser missionário é administrar construções e, quando faltar um
ajudante de pedreiro, tomar o lugar dele e por a mão na massa. É usar seu parco
sustento nas despesas da igreja, estender a mão ao faminto, gastar horas em
oração pela conversão e edificação de vidas e não desanimar diante da falta de
resultados.
Ser missionário é olhar sempre para a frente, segurar no “arado” com fé,
amar e ser como pai para o povo que nem sempre tem o reconhecimento da mãe
aflita, quando disse ao filho alcoolista: - “O
pastor é como um pai para nós!”.
Ah! O missionário, mesmo sendo humano ou
mesmo sobre-humano, não pode desejar reconhecimento terreno, basta-lhe a
Palavra do Senhor: - “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o
muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”; e a conclusão da letra do hino que gostamos de
cantar - “pra quem é missionário eu tiro o chapéu”.
Pr.
Washington Machado Barbosa
Plantando igrejas em Goiás.
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